domingo, 18 de maio de 2008

O ABRAÇO AFLITO DE BACON

O realismo está na ordem do dia, não só na literatura, mas no cinema, no teatro, nos jogos on-line, nos parques temáticos, na televisão. A realidade se tornou objeto privilegiado de consumo: prolifera o desejo de mapear e devorar o mundo real. Quanto mais realidade, melhor, esta é a idéia. Mas qual realidade?

Um comentário:

João Drummond disse...

A Linguagem Poética

Para que serve a poesia? Qual a função da linguagem simbólica, às vezes rebuscadas, cheia de floreios, indireta, onde as mensagens ficam subtendidas e impacientizam as mentes mais racionais, práticas e objetivas?
Para muitos a linguagem poética se reveste de uma forma que afronta a urgência e velocidade de nossa realidade pratica. Parece a estas, uma total perda de tempo e energia na contra-mão da prontidão que o dia a dia nos impõe.
Podemos dizer que a linguagem poética é uma comunicação singela e nobre que fala mais ao coração que a razão.
Poesia é mais para ser sentida do que entendida. Nela o poeta revela o que lhe vai à alma e expressa tanto quanto possível, com uso de códigos lingüísticos, seus sentimentos e os conflitos que eles suscitam.
Não é possível se explicar os sentimentos, mas é possível usando-se linguagem e imagem figuradas provocar no leitor ou ouvinte um modelo destes sentimentos que assolam a alma poética.
Quando o poeta cria, com os limitados recursos que a linguagem oferece, formulas representativas e descritivas de uma realidade interna, consegue produzir a sua volta, naqueles que o assimilam, uma idéia, as vezes vaga, outras vezes forte das suas próprias emoções.
A poesia é resultado natural do desenvolvimento do nosso hemisfério cerebral direito.
É no hemisfério cerebral direito que nossos sonhos acontecem e onde nossa imaginação ganha forma e força. É aí que nossos anseios encontram espaços para se extravasar em realidades atemporais e imateriais ainda não vividas.
Albert Einstein dizia que nossa maior força e qualidade estão na imaginação e imaginar é uma tarefa da nossa natureza lúdica e da nossa veia poética.
Todo ser humano, mesmo que não saiba e não queira, até os mais práticos e racionais, tem seu potencial poético.
A poesia tem esta propriedade de parar nossos contadores matemáticos e dar uma pausa naquilo que nos chamamos de capacidade de agir.
Muitas vezes a ação acontece por imposição de um modelo cultural massificado e não como resultado de um processo de reflexão.
Há uma diferença crucial entre agir porque a sociedade assim exige e agir como resultado do uso da sabedoria adquirida pela observação atenta dos fenômenos da realidade e da vida.
Fazer poesia é um excelente recurso nesta busca individual que empenhamos por um lugar ao sol e para evoluímos em todos os sentidos, na família, na sociedade e na vida profissional.

João Drummond